domingo, 8 de março de 2015

Dia Internacional De Todos...



Se há coisa que me irrita mesmo, é celebrar datas porque sim...
Sejam Natais, Páscoas, Santos Populares ou os dias disto e daquilo.

Há uns dias, a comentar com uma paciente minha que me dizia que a manicure dela estava com as marcações lotadas para sábado dia 7 de Março, porque no Domingo era o Dia Internacional da Mulher...fiquei irada (não porque as marcações da manicure estavam lotadas, ainda bem), mas pelo comentário que a minha paciente me retorqiu perante a minha indiferença a essa comemoração:

- Mas assim, pelo menos sinaliza-se o dia, como sendo um dia especial...

Mas que tipo de "especialidade" é esta que só se serve uma vez por ano, e naquilo que é FULCRAL E NUCLEAR, a grande maioria das pessoas assobia para o lado?

Quando são as MULHERES os grandes ALVOS* da Violência Doméstica, Mobbing (Agressão Psicológica no Trabalho), Assédio Sexual e Exploração Laboral, sobrecarregadas com inúmeras tarefas sobretudo quando se divorciam ou separam dos pais dos filhos, onde estão as flores, os postais, as prendinhas e o ir almoçar fora nestas situações?
Onde está a SOLIDARIEDADE HUMANA para as ORIENTAR, OUVIR e mesmo propôr RESGATAR?
Onde estão aqueles que as podem aliviar um bocadinho de tanto peso e tantas tarefas?

SIM, eu sei que já se faz muita coisa, e BENDITAS SEJAM essas PESSOAS e INSTITUIÇÕES, mas onde tudo começa? NAS FAMÍLIAS!!!
Faz-se alguma PREVENÇÃO e/ ou INTERVENÇÃO nas FAMÍLIAS?
Há muita gente a interessar-se por pegar no problema onde ele nasce?

Parece assim à primeira vista que Portugal mudou imenso nos últimos 40 anos...
mas é toda uma mudança superficial.

A maior das Mudanças ainda não foi feita:
A Mudança de MENTALIDADES e da RESPONSABILIZAÇÃO!

Sendo assim:
E assim como NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER...
Também o DIA DA MULHER É QUANDO UMA MULHER QUISER...


* Não escrevo vítimas, porque é um estado a que qualquer pessoa deve aspirar ultrapassar o mais rápido possível.




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A Ansiedade Nas Crianças Está A Ser Preocupante!...

E Muitos Pais Não Estão A Saber Lidar com Isso...



                                            Resultado de imagem para anxiety children


As crianças terem medos é perfeitamente comum, e faz parte do desenvolvimento cognitivo e emocional do Ser Humano.
   Nesta fase as crianças são muito susceptíveis a filmes, conversas e cenas que presenciam, e como não têm ainda os "filtros cognitivos" devidamente estruturados, acreditam em tudo, e que tudo é real...

Mas apresentarem sinais claros de ANSIEDADE GENERALIZADA em contextos mais simples do dia-a-dia, isso já é diferente.

QUE SINAIS DÃO AS CRIANÇAS QUANDO COMEÇAM A SENTIR ANSIEDADE INCONTROLÁVEL?


                                         Resultado de imagem para anxiety children

»  Enurese nocturna (perderem o controlo dos esfíncteres urinários e fazerem xixi de noite)
» Adiarem ( ou pedirem para fazerem mais tarde) tarefas que se lhes pedem ( escolares ou
   domésticas)
» Acordarem de noite a dizerem que não conseguem dormir.
» Aumentarem ou perderem o apetite, ou então comerem mais doces.
» Relatarem sonhos com monstros, ladrões ou extraterrestres (sinal que temem que algum
   mal lhes aconteça ou à Família...)

...E O QUE FAZER PARA OS AJUDAR?

»NUNCA menospreze o relato dos medos ou preocupações que a criança lhe faz.
  Ouça tudo com tempo e atenção e diga-lhe que o(a) entende e que na idade dele(a)
   também passou por isso, e que esses medos vão ter uma solução.

» Peça-lhe que desenhe o que o(a) assusta e que conte a história daquele medo ou preocupação,
   que final lhe dá e como é que a criança falaria com aquele medo?
» NUNCA POR NUNCA humilhe ou se zangue com o seu filho por ele ter feito xixi na cama.
   Pode dizer que é aborrecido mas que vai procurar ajuda para esta situação.
» Se ele acorda de noite e lhe pede para ir para a cama dos pais, vá conversar com ele no quarto dele e peça-lhe para ele lhe relatar o que o está a assustar, e "desmonte" a história dele.
» Se perder o apetite, e não quiser comer, peça-lhe que desenhe aquilo que ele(ela) TEME e qual 
   seria a SOLUÇÃO para aquele caso ( "invente" que ele(ela) é um detective famoso e que vai
   dar um final àquela história); não tem que ser um "happy end" mas um final razoável e bem    aceite pela mente infantil. No caso de aumento de apetite pode perguntar-lhe o que é que o(a) faz comer tanto e o procedimento é básicamente o mesmo para a perda de apetite.

Se suspeitar que há algum problema orgânico, não hesite em consultar o Pediatra Assistente, mas sobretudo NÃO ENTRE VOCÊ EM PÂNICO, porque a criança sente isso e vai sentir-se pior porque sente que está a preocupar os pais.

EM RESUMO, AQUILO QUE APRESENTO AQUI É:...

» É extremamente importante que a criança EXPRESSE os seus medos, e como muitas vezes ainda não consegue verbalizar, o DESENHO e a REPRESENTAÇÃO TEATRAL conseguem esta EXPRESSÃO maravilhosamente; NÃO PRECISA de se pôr a interpretar os desenhos,apenas "seguir a história que eles contam"

» NÃO DESVALORIZAR o sofrimento que a criança sente, mas também não sobrevalorizar; mostrar que você está disponível para que AMBOS encontrem a solução.

» NÃO O(A) COMPARE com os irmãos, primos ou filhos das suas amigas; cada criança é 
única, e mesmo que ele(ela) comente que "o menino ou menina assim..." faz isto ou aquilo, apenas responda que" se ele faz assim é porque se sente melhor com isso..." mas"...e tu o que achas que deves fazer?..."



                               

» Se sente que o assunto a(o) está a ultrapassar PEÇA AJUDA PROFISSIONAL.
   Você vai sentir-se mais segura(o), a criança entende que os pais estão a tentar ajudar, e
    normalmente em poucas sessões o caso fica deslindado.

» Introduza os hábitos de massagem ao final do dia,( proponha fazerem troca de massagens entre vocês) e se puder, inscreva-os em aulas de yôga para crianças, para se alinharem com a CONCENTRAÇÃO e a AUTO ESTIMA e RELAXAMENTO.

Mais tranquila agora?...
   




quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Depressão Sazonal - Está A Sofrer Com Ela?...

Este artigo é para si.

                                           

Sente-se deprimida, com dores no corpo, fatigada, impaciente, com os sonos desregulados?...
Enfim, só lhe apetece hibernar...

Muito provavelmente está a padecer daquilo que se chama de DEPRESSÃO SAZONAL, que incide mais em Mulheres a partir dos 25/ 30 anos do que em Homens.

Não se sabe muito bem ao que se deve, mas todas as pesquisas efectuadas até agora apontam para uma relação directa com a DIMINUIÇÃO da luminosidade, pelos dias serem mais curtos e cinzentos.
   Não é uma Depressão em si mesma, mas mais um estado passageiro de mudança de humor.

Saiba que há tratamento para isto, passando apenas pela implantação de hábitos de inverno, sem ter que tomas medicação anti-depressiva 8 a não ser que este estado se venha a juntar a um estado de Depressão já recorrente, e nesse caso, consulte o seu médico ou um Técnico de Saúde com credenciais em outras Medicinas).

Para que não ande como uma barata tonta, sem saber para onde se virar, DETERMINE-SE a seguir algumas sugestões, de que por serem tão óbvias, muitas vezes não lhes damos importância, porque andamos à procura de soluções mágicas.

Vamos lá...

1 - Caminhe ao ar livre, sempre (mas sempre) que puder, e 30 minutos por dia.
      Se anda de Transportes Públicos, desça numa estação antes do seu destino; se anda de carro,
      estacione um quarteirão antes.

2 - Em todas as oportunidades, vá para a frente de uma janela e fique lá uns bons minutos,
      Se estiver um dia de sol, tanto melhor.

3 - Experimente dormir de persianas levantadas para que a luz solar entre logo de manhã
     no quarto, se conseguir, obtenha uma lâmpada de espectro solar total para a sua mesa de     
      cabeceira. Tanto a luz do sol, como estas lâmpadas alternativas dessa luz, influenciam 
      a produção de melatonina, que interfere nos humores.

4 - Mantenha actividades, e não se deixe na inércia.
     Aprenda um novo hobby, uma língua estrangeira, redecore um aposento da casa, combine
     saídas com amigos e familiares, ande de bicicleta, faça o pino mas o importante é que se mexa...

5 - Faça uma alimentação anti depressiva:
      Legumes cor de laranja e vermelhos - cenoura, abóbora, pimentos laranja e vermelhos  
      Frutos secos
      Leguminosas
      Vegetais em saladas
      Alho cru - nas saladas, picado e tomado de manhã - É um verdadeiro ELIXIR DE SAÚDE
      por todos os seus componentes.



6 - Reforce a ingestão diária de vitaminas do grupo B com Magnésio e Vitamina D.

7 - Faça o seu Diário da Felicidade
     Registe diáriamente todos os acontecimentos e circunstâncias positivos que lhe aconteceram
     e sinta-se grata por isso. A gratidão por sentir e viver mesmo as pequenas coisas do dia 
     (um elogio, uma ajuda, palavras amáveis e tantas outras) trazem-lhe pensamentos e sentimentos 
     que só lhe fazem bem.
     

Afinal, o Inverno não é mau de todo...

sábado, 27 de dezembro de 2014

5 Dicas simples Para Um Jantar De Sucesso

...Se Lhe Coube  A Si Organizar O Jantar De Fim De Ano...


Sobretudo para as minhas leitoras mais jovens, ou para aquelas que nunca se meteram nestas aventuras, lembrei-me de fazer sugestões simples de Organização, tal como as segui durante anos,
e que muito me ajudaram a organizar um jantar com pompa e circunstância, mas sem stresses de última hora, e ainda ter tempo de me arranjar com calma, para ter uma noite descontraída e que marcasse o início de um Novo Ano.

Então aqui vão:

> ORGANIZAR



Comece já a fazer uma pequena lista com DISTRIBUIÇÃO de TAREFAS, para que possa delegar algumas; assim ganha tempo e tranquilidade.
   Leve em consideração que cada convidado possa levar um prato salgado ou doce e as bebidas.
Para isso COMBINE com antecedência QUEM leva o QUÊ para não haver repetições, ou então considere ENCOMENDAR-SE o jantar e depois partilharem por todos as despesas.

Experimente ORGANIZAR um JANTAR TEMÁTICO, onde todos devem levar as roupas e adereços a condizer com o tema.
   Os jantares mais divertidos em que participei, quer fossem organizados por mim, quer fossem de amigos foram os temáticos, com indumentárias inesperadas e criativas.

* Um pano de loiça ao quadrados e um pedaço de corda, fazem um toucado palestiniano perfeito.
** Um lençol enrolado no corpo faz um excelente sari, e a fronha da almofada, um toucado de cabeça.
*** Um páreo de praia e um colar de flores de papel dão perfeitamente para fazer uma indumentária havaiana...
   Use e abuse da sua criatividade.

> DECORAR

          

Se tem amigos ou familiares com jeito para a decoração, peça-lhes para darem ideias, ou serem eles mesmos a fazerem isso (bem...se ponderou convidá-los, claro, porque senão é chato...(rsrsrs)
Lembre-se de reciclar materiais de anos anteriores e de PERSONALIZAR cada lugar, se for um jantar com todos sentados à mesa.

Mas se for um "jantar volante", reparta a mesa em várias secções- PRATOS - TALHERES - COPOS, e faça uma apresentação TEMÁTICA do jantar (por exemplo, comida grega, ou turca ou indiana, com as decorações a condizer).

Arranje um espaço, mesmo que seja pequeno para o bar, e peça a um(a) amigo(a) que seja o barman ou a barmaid do principio da noite

> MÚSICA



Algum(a) dos seus amigos(as) tem "jeito" para ser DJ?
Ou mesmo um adolescente da família?

Então ora aí está! Peça-lhe para seleccionar música para a chegada dos convidados (Chill Out ou Lounge Music...) e a música adaptada ao TEMA do jantar.

> INOVAR



Se tem crianças e os seus convidados também, "contrate-as" para darem um espectáculo de fim de ano, com um show de dança coreografada, ou uma peça de teatro de comédia.
   Diga-lhes para prepararem os adereços, maquilhagem, etc., ou peça a uma das convidadas da festa que adore fazer isso, para ser ela a maquilhadora e aderecista dos actores e actrizes convidados.

Peça a todos os seus convidados para desligarem ou colocarem no silêncio os telemóveis, e nem se atreva a ligar a TV...
Estes jantares são uma oportunidade de ouro para se conviver, conversar, dizer piadas, e usar o sentido de humor.

> UMA HORA ANTES...



Enfie-se na banheira, tome um duche morno/quente com um gel de banho de aroma REVIGORANTE, passe com um a loção nutritiva para corpo, perfume-se, maquilhe-se com uma maquilhagem leve, mas ao mesmo tempo sofisticada, e vista a sua fatiota para arrasar...


Acredite que, se seguir estas indicações de quem já teve festarolas e jantaradas demais...
o seu JANTAR de fim de ano vai ser um ÊXITO e ainda por cima você nem se arreliou, nem stressou e divertiu-se à grande...

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Obstáculos São Caminhos...

Obstáculos São Caminhos...Para Dentro De Si Mesmo...



Enquanto crianças fomos completamente permeáveis (como algodão) aos dramas do inconsciente das nossas gerações anteriores.

Com muita facilidade DEIXÀMOS ENTRAR na nossa inconsciência infantil - porque não tínhamos filtros de RACIONALIDADE - os medos,os ódios de família e de raça e as culpas dos pais, avós, bisavós e por aí fora.

Constato diáriamente que tantas e tantas pessoas se sentem CULPADAS, sem terem noção do quê... São aquelas que estão sempre a pedir desculpas por tudo e por nada, que começam todas as frases por "não...", como se se sentissem culpadas de terem nascido, e quando vamos aprofundar esses sentimentos, de facto apercebemos-nos de que houve alguém na família que (quase) permanentemente nos acusava de tudo o que acontecia: se as relações entre os pais não estavam bem, a culpa era nossa,porque tínhamos nascido...se alguma coisa corria mal lá em casa a culpa era sempre daquele que era o mais agitado ou irrequieto... se a mãe adoeceu depois do parto foi porque o nosso nascimento é que foi a causa,e  foram tantas as situações que as pessoas lhes perdem a conta... parece que a nossa existência é que provocou algum dano a alguém.

Este sentimento profundo, "viscoso" e oculto traz com ele muitas das feridas da nossa PSIQUE e que se manifestam em limitações da nossa  personalidade, que permanecem abertas pela vida fora, com a infeliz agravante de que se perpetuam para gerações futuras, se não as curarmos no tempo em que damos conta que elas existem.



Estas feridas mostram-se através de comportamentos, atitudes e verbalizações que as pessoas usam no seu quotidiano.

QUE FERIDAS SÃO ESTAS?

Rejeição - Humilhação - Vergonha - Inferioridade.
Derivadas do MEDO e da CULPA.

Ao serem confrontadas com a Luz acutilante da Verdade e da Consciência, estas feridas tornadas medonhas, começam a sarar e a cicatrizar até serem apenas lembranças amorfas e longínquas.

Se toda a vida sentiu CULPA por tudo o que lhe acontece e aos outros,pergunte-se:
- Antes de assumir esta culpa, a vida dessas pessoas era diferente para melhor? Viviam felizes?    Amavam verdadeiramente e eram amadas?

Vai perceber que as respostas vão dar a um redundante NÃO!
...mas como todas as famílias e grupos sociais precisam sempre de um "bode expiatório" e de um "contentor de lixo", o melhor que há e que está mesmo ali "à mão de semear" é UMA CRIANÇA, que nos primeiros anos de vida NUNCA QUESTIONA crenças, as verdades dos factos, ou as acusações,sentindo-se imediata e repetidamente CULPADA E ATERRORIZADA pelo eminente castigo...

Todo este enredo tem com "carro chefe" e líder o MEDO,que é o OBSTÁCULO MAIOR e muitas vezes obscuro e confuso pois agrega (como um cacho de uvas) vários medos antepassados dos nossos ancestrais.

MEDOS de não ser amado e aceite, de não ser reconhecido, de errar e falhar, de não ser capaz,de ser banido e rejeitado, de ser castigado...porque nos foi passada essa mensagem e NÃO PORQUE SEJA VERDADE.

O paradoxo é que são estes medos e culpas (oh sim, os medos também têm uma função construtiva) que nos vão DESPERTAR para as VERDADES sobre NÓS MESMOS:

>  Se tem medo de NÃO SER AMADO e querido,esta é a indicação clara para se AMAR A SI MESMO,com todas as limitações e glórias com que se apresenta ao mundo.

> Se tem medo de NÃO SER ACEITE ou reconhecido, é para se aceitar e reconhecer como SER único, e depois alterar e transformar o que sente que já não lhe serve.

> Se tem medo de ERRAR e de NÃO SER CAPAZ, é para o estimular e incentivar a fazer as experiências e tentativas necessárias até "acertar" no seu OBJECTIVO.

Se é verdade que nos deixàmos aprisionar pelo medo, também é VERDADE que é o medo que nos OBRIGA a PARAR e a VOLTARMOS-NOS para dentro de nós e a questionarmos:

>  E antes de eu ser pessoa e de estar aqui, eu tinha medos e culpas?
>  De quem são estes medos e culpas que já cá estavam na família e neste grupo, antes de mim?

E por fim, AGRADEÇA aos medos a porta que eles lhe abriram para o seu SELF, para dentro do SI MESMO.



" Ninguém pode ver a Luz, sem antes passar pela sua própria escuridão"
Carl Jung




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O nosso Tempo

O nosso tempo

Quando trabalhamos sozinhos ou quando temos a nossa empresa, às vezes não sabemos parar. Às vezes o contrário também acontece, e já vos falei da questão da disciplina, que acho o pilar fundamental para quem se quer lançar nesta vida de empresário.  No entanto, também não podemos cair no extremo oposto...

Temos de aprender a ouvir o nosso “corpo”, o nosso “coração”, a nossa “alma”, o que vocês preferirem. Sei que por vezes pode parecer difícil encontrar um equilíbrio, mas quando não tiramos o tempo para nós, a vida encarrega-se de nos “dar” esse tempo. 



A semana passada, tive essa experiência. Tenho aprendido nos últimos anos a “ouvir-me” mais e acredito que muitas vezes as doenças ou sintomas que temos, físicos, são produto de uma somatização psicológica. (Há um livro fantástico sobre isso, ver referências no final).

Tudo começou, porque tinha de fazer uns telefonemas que não queria fazer, sabem aquelas coisas que custam imenso, que não vos apetece nada fazer? Nem imaginam a luta interna que foi! Eu não queria mesmo, arranjava desculpas, organizava o dia (inconscientemente) sem me sobrar tempo para fazer aquilo que eu não queria, experimentei as técnicas que conheço e que uso todos os dias... mas acabava por boicotar de uma forma ou outra. Depois, como estava a ficar super atrasada com o meu trabalho e não podia empurrar mais aquela tarefa... decidi que não passava daquela semana!


Então “misteriosamente” comecei a ficar “febril”, a sentir-me com gripe... mas não fiquei em casa! Continuei e disse que ia para o escritório todos os dias: “porque sou disciplinada e não vou dar importância à doença”.  Cada vez me apetecia ficar em casa, mas para mim (e isto é uma crença que eu tenho) não é “socialmente” aceitável ficar em casa mesmo que seja a trabalhar, porque eu acho que “quem trabalha a sério, vai todos os dias para o escritório e os preguiçosos ficam em casa”, um preconceito claro, mas é mesmo isto que eu acho... ou achava.


Até que fiquei mesmo doente, fui para casa e dormi a tarde toda! Ah! Finalmente! Posso fazer o que eu tanto queria há tanto tempo! Ora vejamos as vantagens: Posso dormir o que eu quero (tenho a desculpa da gripe),  posso trabalhar só se me apetecer (porque estou com gripe), as pessoas dão ainda mais valor se eu trabalhar (“até doente ela trabalha!”), fiz os telefonemas com uma voz de desgraçada e do outro lado todos tiverem “peninha” de mim porque estava “tão atacada”,  não tenho que cozinhar, limpar ou ir às compras (porque estou doente!), tenho mais mimos e mais atenção (e é tão bom!), estou sozinha durante o dia e por isso estou mais concentrada do que por vezes no escritório... só vantagens! Ah! Tão bom!


Posso vos dizer que curti os meus dias de doente! Claro que 3 dias depois estava fartinha de estar em casa e já estava melhor. O que eu precisava era de uns dias para mim, de trabalhar ao meu ritmo. O que vos posso dizer é que voltei ao trabalho revigorada, porque consegui descansar bastante, tive ideia novas para a minha empresa, fiz tarefas que precisava de concentração e que já há dias que tentava acabar,  dei valor ao facto de ter saúde e poder sair todos os dias e ir para o escritório, e consegui finalmente fazer os tais telefonemas! Ufa!

A partir daí, as coisas fluíram. Surgiram soluções que eu não esperava para o meu negócio e as coisas parecem que ganharam de novo fôlego.

Já viram a energia que gastei, só para ficar em casa? Para estar sozinha, ou descansar um pouco...  Não teria sido mais fácil ter admitido que precisava de um ou dois dias para mim, estaria disponível na mesma para a minha equipa, podia ter ficado em casa, ou ir até uma esplanada com o meu portátil. Teria recuperado energia na mesma, teria feito tudo e provavelmente muito mais do que fiz.


Se há uma manhã que estão mesmo em baixo, ou que estão extremamente desmotivados, dêem-se um “mimo”, levem o portátil até uma esplanada e trabalhem fora do escritório ou de casa. Tirem um fim-de-semana para desanuviar e ter novas ideias.  Façam uma massagem. Parem. Centrem-se. Recarreguem baterias. Depois sim, voltem ao vosso dia-a-dia. Acreditem que vos pode poupar muito tempo e energia. Vão voltar renovados! Porque mais cedo ou mais tarde, se nós não paramos, o nosso corpo vai nos ensinar a parar.


Aprendi mais sobre mim, aprendi que tenho de mudar a minha crença sobre as pessoas produtivas/preguiçosas, que tenho de me importar muito menos com o que os outros pensam, ou o que vão pensar de mim, aprendi que tenho de ouvir o meu corpo, respeitar o meu tempo, sem deixar de ser disciplinada, renovar a minha motivação com pequenas coisas que faço para mim. Complicado hã?! Nem por isso, experimentem! Porque quanto mais treinarem mais fácil se tornará.

Até para a semana e bons negócios!



Referencias (experimentei e recomendo):

Livro “O teu corpo diz ama-te”, Lise Bourbeau
Fins-de-semana: www.goodmorning.pt
Massagem: www.espacoessencias.pt

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Rituais de uma empresária

Rituais de uma empresária

Esta semana quero partilhar convosco uma técnica, que mudou literalmente a minha vida e que uso todos os dias (ou que pelo menos tento usar todos os dias). Nem sempre usei  e demorei algum tempo até que se tornasse automático, e confesso que às vezes “descambo”... mas cada vez acontece menos e é cada vez mais fácil voltar ao ciclo virtuoso. Agora o desafio é aplica-la a todas as áreas da minha vida.

Acredito que os rituais, ou comportamentos, que temos nos definem. Todos os resultados que temos, em qualquer área da nossa vida, vêm dos nossos rituais. Por exemplo se está desempregado, tem rituais muito diferentes do que se estivesse a trabalhar ou estivesse a montar o seu projeto. Se calhar, estando desempregado acorda tarde, ou quando acorda não se levanta logo. Se estivesse a montar o seu projeto, provavelmente acordaria mais cedo, ou levantava-se mal o despertador tocasse, tomava o pequeno-almoço, tomava banho e punha-se a trabalhar. É uma rotina diferente, certo? E gera uma energia diferente!



O mesmo se passa nas outras áreas. Alguém que viva uma relação apaixonada com alguém, muito provavelmente chega a casa super entusiasmado e cumprimenta a outra pessoa com um beijo e um abraço,  pergunta como foi o dia, chega com um ar feliz. Ao contrário, quem vive uma relação desgastada, talvez chegue a casa meio mal-disposto, cumprimenta a outra pessoa com um “oi” e em vez de perguntar como foi o dia, enfia o nariz no telefone ou num tablet qualquer. Estes dois rituais geram obviamente duas reações diferentes (não só das outras pessoas, mas como também nossas) e irão criar duas realidades muito diferentes também.



Uma boa estratégia para termos os resultados que queremos numa determinada área é ver que rituais as pessoas, que são bem-sucedidas nessa área, têm. O sucesso e o fracasso não são coisas que nos “acontecem”, são o resultado de vários rituais que repetimos todos os dias e que criam a nossa realidade: “Não me levantei cedo hoje, não fiz aquele telefonema, não liguei para aquele cliente, não verifiquei as contas”, todas estas pequenas falhas levam-nos a uma realidade de falhas, claro. O sucesso é feito de pequenas coisas: é ligarmos aquele cliente, é acordar cedo e estarmos motivados com a visão que temos para o nosso negocio, é ligar para aquela pessoa e dizer que temos saudades. Todos estes rituais contam.


Quando vê alguém bem sucedido, lembre-se que aquela pessoa tem rituais que a levaram até lá, pequenas coisas, que repete todos os dias, que fazem daquela pessoa quem é, e o que conseguiu ter. Será que um empresário de sucesso acordou ao meio-dia e rebolou até ter a coragem de se arrancar da cama e arrastou os pés até à cozinha para fazer o pequeno-almoço? Ou essa pessoa acorda cheia de energia, mal o despertador toca, põe os pés no chão, põe música e vai até à cozinha fazer o pequeno-almoço? Qual das duas pessoas quer ser? A boa notícia é que só tem de escolher e agir com tal. Somos aquilo que escolhemos ser.



Aqui ficam algumas ideias: Tenho pequenos rituais, faço coisas que me fazem feliz no dia-a-dia, e que me põem num estado positivo, por exemplo: Tomo o pequeno-almoço sentada à mesa e em casa. Chego a casa bem-disposta. Bebo um café fora a meio da manhã. Escolho o caminho à beira-mar para o escritório. Cumprimento as pessoas com quem me cruzo. Respondo a todos os emails num máximo em 48h. Devolvo sempre as chamadas. Enfim, coisas pequenas que, acredito, no final do dia fazem a diferença. 

Progressivamente vamos mudando o nosso dia-a-dia. Antigamente a minha rotina era acordar cheia de sono, arrastava os pés até à casa-de-banho, não tomava o pequeno-almoço porque preferia dormir mais 10 minutos do que tomar o pequeno-almoço sossegada, ia trabalhar em jejum, bebia um café a correr no escritório e já estava irritada nos primeiros 10 minutos do dia! Que vida! Nem pensar, isto não me fazia feliz. Quando olho para trás vejo uma diferença abismal e sei que ainda tenho um longo caminho pela frente. Mas é só começar! Agora que consegui automatizar rituais que me fazem sentir cada vez melhor, vou acrescentando alguns. Há pouco tempo, decidi que vou fazer 7 minutos de yoga de manhã mal acordo! Essa pequena mudança, vai-me sentir totalmente diferente! Vou ficar com mais energia, acordar mais bem-disposta, o dia vai-me melhor, a sério! 

Experimentem com pequenas coisas, por exemplo fazerem um chá de manhã e beberem-no à janela,  acordar 10 minutos mais cedo e irem tomar o café fora...



Deixo-vos aqui um desafio que me foi muito útil:

1. Escolha uma área da sua vida que queira melhorar e descreva-a como ela é, sem filtros (isto é apenas para vocês por isso sejam sinceros).
2. Escreva que rituais/comportamentos tem nessa área, como se comporta, reage, o que pensa, etc. Se tiverem dificuldades podem até pedir a um amigo que vos diga, como vocês fazem o que fazem.
3.Descreva como gostaria que fosse essa área, o que ia sentir, ouvir, pensar, fazer, se estivesse onde gostaria estar.
4. Escreva os rituais/comportamentos que acha que uma pessoa que viva essa situação “ideal” tem. O que faz, como fala, o que ouve, como se sente, o que vê, etc.
5. Experimente 3 ou 4 desses rituais... veja as diferenças e quando achar que esses rituais já estão “instalados”, acrescente mais uns.

A sua realidade vai mudar, prometo!

"Somos o que fazemos repetidamente. Logo a excelência não é uma acção, mas sim uma rotina."