quarta-feira, 18 de março de 2015

Aquilo Que Nos Anda A Consumir...

Os Novos Distúrbios Emocionais 

[Como Os Detectar e Como Os Ultrapassar]


   Teme ficar sem telemóvel? Assusta-a pensar que não o vai ter durante umas horas? Então é possível que esteja com uma NOMOFOBIA, um novo tipo de medo que afecta cerca de 66% da população jovem adulta, sobretudo mulheres e que se enquadra no âmbito das compulsões; se ainda por cima e a agravar isto não consegue estar num jantar com amigos ou família sem estar constantemente a olhar para o ecrã, então pode concluir-se que está sob o controlo do seu telefone, quando deveria ser o contrário: Você é que DEVERIA estar a controlar o aparelho.

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Este e outros distúrbios emocionais são o reflexo doentio de um estilo de vida cada vez mais autocentrado que se faz, onde a carreira profissional, o estatuto, as relações virtuais e a gratificação emocional fácil e imediata fazem as pessoas escravas a um sistema governado por estes paradigmas.

O “modismo” das “selfies” é um retrato contemporâneo do narcisismo, que como os tentáculos de um polvo enreda as pessoas, e que como um veneno vai contaminando personalidades; a mensagem subliminar é: “…gostem de mim, eu existo, eu sou importante…”

Mas há outros (novos) distúrbios/transtornos emocionais que estão a afectar milhões de pessoas e provavelmente você é uma delas.

Vamos lá então ver isto:
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   


1 – BURNOUT
O termo foi criado na passada década de ’70 por um psicólogo americano e define uma situação patológica agravada a quem é “viciado” em trabalho [workaholic].

As pessoas que chegam ao burnout são geralmente perfeccionistas, muito autoexigentes, e a um nível profundo sentem sempre que têm que fazer prova sistemática das suas capacidades; o BURNOUT quando já está somatizado aparece com um esgotamento/exaustão físico e mental, sensação de falta de ar,, dores de cabeça, tonturas, sensação permanente de cansaço, perturbações do sono e digestivas, dificuldade na concentração, ansiedade e humos instável (tal como um adicto a substâncias, só que neste caso a “droga” onde se vai buscar algo, é o trabalho).

Psicologicamente, tornam-se obcecadas pela perfeição, pensam que podem aguentar mais um pouco…, não sabem mostrar limites à entidade patronal ou ao excesso de afazeres, distanciam-se da vida familiar e pessoal, e nada lhes interessa que não seja trabalho.


ESTRATÉGIAS DE DEFESA
» Admita que está com um problema e peça ajuda.

» Se sentir que não consegue parar sozinha(o) esta espiral destrutiva, peça ajuda profissional.

» Peça a colaboração da família e amigos para lhe dizerem quando está a exagerar.

»Nas horas livres não fale de trabalho, nem do que se passa no ambiente de trabalho.

» Entre num programa ou grupo de ajuda para (re) descobrir o prazer de viver noutras esferas e áreas da vida.
   
                    


2 – MOOBING
É um fenómeno cruel que está a aparecer em contextos laborais/empresariais e que tem aumentado nos últimos anos em consequência da crise económica, financeira e social que tem imposto a redução de equipas e de trabalhadores.

É muito semelhante ao BULLYING entre crianças nas escolas, mas sendo feito entre adultos.


No caso do moobing, ele ou é feito pela entidade empregadora [forma vertical] ou feita entre colegas e pares [forma horizontal]; é um jogo cruel de quem se submete e faz o papel de alvo a abater”/vítima e de quem agride e que faz o papel de “carrasco”; mas em ambos os lados está um denominador comum ( e por isso é que o jogo funciona) que é a baixa (ou ausente) autoestima :


» O lado agressor tem temores antigos de não ser respeitado, ou mesmo de ser agredido…

» O lado agredido tem medo de perder o controlo ao confrontar atitudes, e acredita que, se se “calar” e submeter tem mais a ganhar…

Se sente e sabe que está a ser caluniado, ostracizado (isolado), que lhe escondem informações de trabalho, que o enviam para um departamento de trabalho a fazer algo de “mecânico e automático”, que não é da sua função, que levantam rumores a seu respeito e sem fundamento, então você está a ser alvo de MOOBING  e tem que agir!


ESTRATÉGIA DE DEFESA
» Tenha em conta que o MOOBING é um plano bem desenhado por muitas empresas, e que há pessoas “especializadas” em fazerem com que os "alvos" se sintam mal; você não deixou de ser competente de uma hora para a outra, e não leve este ataque  como sendo à sua pessoa, mas sim à sua função dentro da empresa.

» Procure ajuda profissional para recuperar e reforçar a sua autoestima e para se autovalorizar. Tente entender porque tem tanto medo de confrontar atitudes, e acredite nas suas capacidades e potencialidades, as inatas e as adquiridas.
» Registe as atitudes agressoras, mesmo as mais subtis – de uma forma factual, e não interpretativa: Hora – local – contexto – oque foi dito ou feito.
» Siga detalhadamente as regras da empresa – Horários – filosofia, etc.

» No caso de estar a ser alvo por parte de colegas e pares, informe as chefias (que talvez não saibam o que se está a passar), e por isso é importante fazer os registos.

» No caso de serem as chefias, procure as Autoridades competentes.
» Faça Psicoterapia.

                         

3 – ONIOMANIA [COMPULSÃO POR COMPRAS]
Este distúrbio pertence ao grupo das perturbações do controlo dos impulsos.

Um estudo recente revelou que, na maior parte dos países da EU, mais de metade das raparigas entre os 14 e os 18 anos apresentavam sintomas deste distúrbio e uma grande parte já de forma patológica.

O aumento exponencial da oferta de bens e serviços de consumo, a depressão e os quadros de ansiedade e de tédio, criaram o contexto ideal para o desenvolvimento deste comportamento compulsivo.

Quanto mais se permite satisfazer o acto compulsivo, mais o impulso cresce, e daí quue é necessário uma ESTRATÉGIA para (re) educar o “shopaholic”


Se você não resiste a mais um bâton, um verniz, um par de sapatos ou a uma carteira, ou àquele objecto decorativo…se você se dá conta de que a maior parte das coisas que tem comprado nunca as usou…se você chega a casa depois de ter comprado mais coisas, e depois se apercebe que nem gosta do que comprou e as enfia para dentro de um armário… se sente um “bichinho” que a empurra para dentro da loja e acha tudo fantástico…se se sente nervosa, aborrecida ou entediada e a primeira coisa que lhe ocorre é ir para a rua fazer compras, então você está “viciada” e tem uma perturbação de controlo.

ESTRATÉGIA DE DEFESA
Por ser (mais) um tipo de adicção que pode estar a esconder uma depressão, um quadro de ansiedade ou uma enorme carência de afectos, vinda da infância ou actuais, e que para lidar com a frustração e o tédio, procura uma satisfação imediata, porque se sente sem auto estima suficiente, e carente, você está a associar TER e COMPRAR com RIQUEZA EMOCIONAL E AFECTIVA, então:


» Procure Psicoterapia para fazer um trabalho profundo sobre as suas carências, dificuldades, mas também sobre as suas qualidades e competências.

» Faça um hobby que a realize e estruture objectivos com esse hobby: Exposições, vendas, Donativos, Trocas, etc.

» Entre num grupo de ajuda em que todos tenham os mesmos objectivos de sair desse ciclo de dependência.

» Fortaleça a sua auto estima, olhando para trás e observando como já transpôs tantos obstáculos.

»Quando sair de casa, NÃO LEVE CONSIGO nem cartões de crédito ou débito (multibanco) nem cheques. Leve apenas o dinheiro que prevê que está no seu orçamento investir nesse dia.

»Tudo o que comprou e sabe que não usa, DÊ,TROQUE, e se ainda estiver no prazo legal de troca, troque por algo de verdadeiramente útil.

» Se tem dificuldades em pôr em ACÇÃO a sugestão anterior, fale com o seu Psicoterapeuta ou grupo; vai encontrar dentro de si um qualquer medo de escassez de certeza.



Tenha sempre em conta que para cada problema ou dificuldade há sempre uma ou várias soluções, e que ADMITIR que não está a saber lidar sozinha com estas questões, é sempre o primeiro passo!

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